Alzheimer pode ser causado por uma bactéria

DESCOBERTO QUE O ALZHEIMER PODE SER CAUSADO POR UMA BACTÉRIA! – NOVOS RUMOS NO TRATAMENTO DA DOENÇA

Se você sangrou ao escovar os dentes esta manhã, você pode ter interesse em ler o que vamos te contar a seguir.

Podemos finalmente ter encontrado a causa obscura da doença de Alzheimer: a Porphyromonas gingivalis, bactéria encontrada na cavidade oral e a principal causadora da periodontite, gengivite crônica.

Concept Of Memory Loss

As doenças gengivais afetam cerca de um terço das pessoas em todo o mundo. Mas, a boa notícia é que uma droga que bloqueia as principais toxinas de P. gingivalis está entrando em importantes testes clínicos este ano, e pesquisas publicadas na última semana mostram o seu potencial para controlar e até reverter o Alzheimer. Há, até mesmo, esperanças da criação de uma vacina.

O Alzheimer é um dos maiores mistérios da medicina. Com o aumento da expectativa de vida humana, os quadros de demência se multiplicaram e hoje representam a quinta maior causa de óbitos em todo o mundo. Neste necessário o Alzheimer constitui cerca de 70% dos casos de demência notificados em idosos e, apesar do número expressivo, não sabemos a causa do problema.

BACTÉRIAS NO CÉREBRO

A principal hipótese acerca da causa da doença envolve o acúmulo de placas formadas pela proteína beta-amiloide no cérebro. Sugeria-se que a sua aglutinação entre os neurônios impedia a transmissão de sinais nervosos, prejudicando a atividade neural.

No entanto, pesquisas recentes revelaram que pessoas saudáveis podem apresentar placas amiloides e não desenvolver demência. Além disso, os inúmeros esforços para combater a doença por intermédio do controle da proteína foram infrutíferos, de modo que a hipótese passou a ser seriamente questionada.

Apesar disso, evidências apontam que a função das proteínas amiloides pode ser uma defesa contra bactérias, descoberta que impulsionou uma série de estudos recentes sobre a atuação de bactérias na doença de Alzheimer.

Neste ínterim as bactérias envolvidas nas doenças gengivais, bem como em outras doenças, foram encontradas no cérebro de pessoas diagnosticadas com Alzheimer. Todavia, ainda não era totalmente claro se essas bactérias estavam envolvidas na causa da doença ou simplesmente entraram por danos cerebrais causados pela doença.

LIGAÇÃO COM A PERIODONTITE

Diversas equipes de pesquisas passaram a investigar P. gingivalis e, até agora, foi descoberto que a bactéria invade e inflama as regiões do cérebro afetadas pela doença de Alzheimer. Estudos em cobaias também revelaram que além de piorar os sintomas da doença, as infecções da gengiva podem desencadear inflamações cerebrais semelhantes à de Alzheimer, bem como provocar danos neurais e formação de placas amiloides em seres saudáveis.

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“Quando uma mesma informação converge em vários laboratórios independentes, como neste contexto, é muito expressivo”, diz Casey Lynch, da Cortexyme, uma empresa farmacêutica de São Francisco, Califórnia.

Em estudos realizados pela Cortexyme, as enzimas tóxicas liberadas por P. gingivalis (que são utilizadas pela bactéria para se alimentar de tecido humano) estavam presentes em 96% das 54 amostras avaliadas de células cerebrais com Alzheimer. A própria bactéria foi encontrada em três materiais genéticos retirados de cérebros danificados pela doença.

“Este é o primeiro relatório mostrando DNA de P. gingivalis em cérebros humanos e a relação das toxinas bacterianas co-localizadas com placas”, diz Sim Singhrao, da Universidade de Central Lancashire, no Reino Unido. Sua equipe descobriu anteriormente em pesquisas que P. gingivalis invade ativamente o cérebro de cobaias com periodontite. Sim Singhrao acrescenta que o novo estudo é também o primeiro a mostrar que as toxinas bacterianas cortam a placa de proteína de forma a permitir que ela mate os neurônios, causando demência.

As bactérias e suas enzimas foram encontradas em níveis mais elevados naqueles que sofreram um pior declínio cognitivo, e estes apresentavam maior acúmulo de placas amiloides. A equipe também encontrou as bactérias no líquido espinhal de pessoas vivas com doença de Alzheimer, sugerindo que essa técnica pode vir a ser um método para diagnosticar a doença.

Quando a equipe induziu periodontite provocada por P. gingivalis em cobaias, ela desencadeou uma infecção cerebral, produção de placa amiloide e dano neural nas regiões e nervos que são normalmente afetados pela doença de Alzheimer.

Cortexyme já havia desenvolvido anteriormente moléculas que bloqueiam as toxinas de P. gingivalis. A administração de algumas delas em cobaias reduziu as suas infecções, interrompeu a produção de placas amiloides, atenuou a inflamação cerebral e até mesmo recuperou alguns neurônios danificados.

A equipe de pesquisadores descobriu que um antibiótico que matou P. gingivalis, apresentou os mesmos resultados, mas com menos eficácia e as bactérias rapidamente desenvolveram resistência a ele. Entretanto, eles não resistiram aos bloqueadores das toxinas bacterianas. “Isso fornece esperanças futuras para o tratamento ou prevenção da doença de Alzheimer”, diz Singhrao.

NOVA ESPERANÇA DE TRATAMENTO

Em amostras retiradas de cérebros humanos sem Alzheimer também foram encontradas acumulações de P. gingivalis e placas de proteína, mas em níveis mais baixos.

Já se sabe que as placas amiloides podem se acumular no cérebro por 10 a 20 anos antes do aparecimento dos primeiros sintomas do Alzheimer. Segundo os pesquisadores, isso mostra que P. gingivalis pode ser uma provável causa de Alzheimer, no entanto, o dado ainda não é conclusivo.

As ocorrências das doenças gengivais e periodontite são muito mais comuns do que a doença de Alzheimer. Porém, “o Alzheimer ataca pessoas que acumulam as toxinas bacterianas e os danos cerebrais provocados são suficientes para o desenvolvimento de sintomas ao longo de suas vidas”, diz ela. “Acreditamos que esta seja uma hipótese universal da patogênese”.

A Cortexyme relatou em outubro que o melhor de seus bloqueadores de toxinas bacterianas havia passado nos testes iniciais de segurança em humanos e entrou no cérebro. Também pareceu exercer melhoras em pacientes com Alzheimer. No final deste ano, a empresa vai lançar um teste maior do medicamento, investigando a presença de P. gingivalis no líquido espinhal e melhorias cognitivas, antes e depois do uso.

 

Texto por Debora MacKenzie para New Scientist

REFERÊNCIAS:

DOMINY, Stephen S. et al. Porphyromonas gingivalis in Alzheimer’s disease brains: Evidence for disease causation and treatment with small-molecule inhibitors. Science Advances 23 Jan 2019: Vol. 5, no. 1.

 

 

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