Mas afinal, o que é a Antroposofia?

Por Ana Paula Lemes.

Um grande amigo me perguntou outro dia: quando você fala de Neurociência, eu entendo. Física Quântica, também. Não exatamente como ajuda em desenvolvimento humano, mas entendo… Mas Antroposofia? Afinal o que significa?

Resolvi então trazer um pequeno e simples resumo para ajudar aos iniciantes em Antroposofia, a “ciência do espírito”, criada pelo filósofo Rudolf Steiner, que usamos como um dos pilares mais importantes de nossos trabalhos.

Espero que este resumo possa despertar seu interesse em buscar saber mais desta ciência reveladora e transformacional!

O que é a Antroposofia?

A antroposofia ou antropossofia (“antrop(o)”, “homem” + “sof(o)”, “sábio” + “ia”, “qualidade, estado, profissão”); do grego “conhecimento do ser humano”; introduzida no início do século XX pelo filósofo austríaco Rudolf Steiner (1861-1925), pode ser caracterizada como um método de conhecimento da natureza do ser humano e do universo, que amplia o conhecimento obtido pelo método científico convencional, bem como a sua aplicação em praticamente todas as áreas da vida humana.

Segundo Steiner, a antroposofia é a “ciência do espírito”. Ele a apresenta como um caminho em busca da verdade que preenche o abismo historicamente criado desde a escolástica entre fé e ciência. É apresentada sob forma de conceitos que se dirigem à capacidade de pensar e à sede de conhecimento e compreensão do ser humano moderno.

Steiner queria ajudar as pessoas a superar o mundo material e entender o mundo espiritual através do eu espiritual, de nível superior. Por seu método ele chega ao fato de que o universo não é constituído apenas de matéria e energia físicas, redutíveis a processos puramente físico-químicos. Ela descobre um mundo espiritual, estruturado de forma complexa em vários níveis. Segundo Steiner, há um tipo de percepção espiritual (consciência expandida) que opera de forma independente do corpo e dos sentidos corporais.

Steiner coloca que, ao se pensar sobre o pensar, começamos a ter acesso a uma consciência diferente da cotidiana. A primeira experiência que podemos ter de um conceito que não encontra correspondente nas percepções do mundo é a vivência do próprio Eu. É a primeira instância de uma experiência no puro pensar. A partir daí, muito mais pode ser vivenciado no puro pensar, como vários conceitos que não encontram correspondentes em percepções físicas. Aqui, em minha opinião, ele de certa forma alinha a antroposofia com a física quântica, tão comentada atualmente. Mas, para esta vivência de puro pensar, Steiner diz ser necessário ampliar a capacidade de nossa consciência e apresenta exercícios para tal.

Steiner definiu a antroposofia como “um caminho de conhecimento para guiar o espiritual do ser humano ao espiritual do universo.” O objetivo do antropósofo é tornar-se “mais humano”, ao aumentar sua consciência e deliberar sobre seus pensamentos e ações; ou seja, tornar-se um ser “espiritualmente livre”.

Steiner ministrou vários ciclos de palestras para médicos, a partir dos quais surgiu um movimento de medicina antroposófica que se espalhou pelo mundo e que, agora, inclui milhares de médicos, psicólogos e terapeutas, e que possui seus próprios hospitais e universidades médicas.

A antroposofia cobre toda a vida humana e a natureza – daí suas aplicações em praticamente todas as áreas da vida. A mais popular dessas realizações práticas, a Pedagogia Waldorf, que desde 1919 representa uma revolução em matéria de educação, tem seus resultados visíveis em mais de 1.000 escolas no mundo inteiro (25 no Brasil).

Outras vertentes práticas da antroposofia incluem: a arquitetura orgânica (a sede da Sociedade Antroposófica Geral, o Goetheanum, em Dornach, na Suíça, é uma amostra dessa arquitetura), a agricultura biodinâmica, a farmácia antroposófica, que é uma extensão da homeopática (Wala, Weleda, Sirimim), a nova arte da euritmia (“o movimento como verbo e som visíveis”), e a pedagogia curativa e terapêutica social, em que se destacam os centros denominados Vilas Camphill.

“A Antroposofia é um caminho de conhecimento que deseja levar o espiritual da entidade humana para o espiritual do universo. Ela aparece no ser humano como uma necessidade do coração e do sentimento, e deve encontrar sua justificativa no fato de poder proporcionar a satisfação dessa necessidade. A Antroposofia só pode ser reconhecida por uma pessoa que nela encontra aquilo que, a partir de sua sensibilidade, deve buscar. Portanto, somente podem ser antropósofos pessoas que sentem como uma necessidade de vida certas perguntas sobre a essência do ser humano e do universo, assim como se sente fome e sede.”

Rudolf Steiner, Anthroposophische Leitsätze, Dornach, 17/2/1924 (GA 26) (Trad. de V.W.Setzer)

Os Setênios de Rudolf Steiner – Estudos Biográficos

A Antroposofia considera o lado anímico-espiritual como a essência individual única de cada ser humano e o corpo físico como sua imagem e instrumento.

Parte da hipótese de que o ser humano não está determinado exclusivamente pela herança e pelo ambiente, mas também pela resposta que do seu interior é capaz de realizar, em forma única e pessoal, a respeito das impressões de mundo que recebe.

Explica e fundamenta o desenvolvimento dos seres humanos, segundo princípios gerais evolutivos que compreendem etapas de 7 anos, denominadas setênios. Cada setênio apresenta momentos claramente diferenciáveis, nos quais surgem ou despertam interesses, perguntas latentes e necessidades concretas, e direcionam o comportamento típico de cada etapa da jornada de vida.

Entender o indivíduo do ponto de vista de momento nesta jornada de evolução, auxilia no auto-conhecimento e acelera o entendimento de potenciais conflitos e objetivos, comportamentos e aprendizados, e direciona os trabalhos de transformação pessoal para resultados mais assertivos e de maior satisfação pessoal.

Os quatro corpos e os três centros vitais do Ser Humano

“O homem é o que ele é através do corpo físico (matéria), do corpo etérico ou vital (energia), do corpo astral (alma) e do Eu (espírito). Ele deve ser visto como homem sadio a partir desses membros; ele deve ser percebido, quando doente, no equilíbrio perturbado deles; para sua saúde devem ser encontrados medicamentos que restabeleçam o equilíbrio perturbado”. – Elementos fundamentais para uma ampliação da arte de curar – Rudolf Steiner e Ita Wegman

Para um médico antroposófico, o ser humano é um organismo tri-membrado: cabeça, tronco e membros. Na vida psíquica, essa tri-membração pode ser identificada nas três atuações básicas: pensar, sentir e agir.

Ao observarmos a cabeça (“pensar”), vemos que nela predominam os processos neurossensoriais. Se observarmos o cérebro, vemos uma estrutura de baixíssima vitalidade e alta especialização. Através da cabeça, a maioria dos estímulos sensoriais penetra no cérebro por meio dos pares cranianos. Uma outra característica da cabeça é que seus ossos têm formas planas e arredondadas e situam-se na periferia, de maneira a proteger o cérebro.

No pólo oposto encontram-se o abdômen e os membros (“querer, agir”), com predomínio de intensa atividade metabólica, onde os processos de regeneração celular são muito ativos e há um “ir para o mundo” tanto através das mãos e dos pés, quanto através dos resíduos que eliminamos. Os ossos, nesse pólo, são longos e retilíneos e encontram-se protegidos por musculatura, dando-lhes sustentação.

Entre essas duas regiões de características tão distintas, encontra-se o tórax (“sentir”), que, na Medicina Antroposófica, abriga o equilíbrio entre as polaridades descritas, sendo a sede do sistema rítmico, que promove a inter-relação saudável entre o pólo neurossensorial e o pólo metabólico. Aí encontram-se órgãos rítmicos: coração e pulmões, protegidos por um arcabouço, as costelas, que também se movimenta.

A cada conjunto de órgãos pressupõe-se um componente psíquico nas três atuações básicas: pensar, sentir e agir.

Estudos mostram que o aprendizado e transformação duradouros estão relacionados não apenas ao “pensar”, mas também ao “sentir”. Ao desvendar e entender as reações fisiológicas das emoções de cada indivíduo, os efeitos psico-somáticos, e invocar o “sentir” no processo de transformação promovemos um maior envolvimento de todos os elementos do ser humano e um processo mais eficaz e perene.

A arteterapia como acionador do “Sentir” para transformação humana

O uso da arteterapia como acionador do “Sentir” fundamenta-se na visão médica, terapêutica e artística ampliada pela Antroposofia, e possibilita que a pessoa vivencie os arquétipos da criação, ou seja, se re-conecte com as leis que são inerentes à sua natureza interior mas que foram “esquecidas” por diferentes motivos. Com isso, traz um contato com a essência sanadora de cada um.

Na terapia artística aprende-se a observar, sentir, agir e pensar de modo mais consciente e diferente do que antes. No entusiasmo pela natureza, pelo belo, pelo ritmo e pela harmonia a pessoa sente-se novamente “inteira” e se reconecta com suas emoções e seu eu verdadeiro.

Em nossos trabalhos de desenvolvimento humano, na busca de uma transformação mais perene e profunda, usamos recursos da arteterapia para acionar o “Sentir” e promover o auto-conhecimento e transformação pessoal.

Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Antroposofia

http://www.sab.org.br/antrop/

http://www.sab.org.br/fewb/pw3.htm

http://www.antroposofy.com.br/forum/os-9-setenios-antroposofia/

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